Ordenação Presbiteral de Frei Douglas Paulo Machado, OFM

Frei Douglas Paulo Machado, foi ordenado presbítero sábado, dia 26 de setembro, às 18 horas em nossa paróquia. Entre os frades da Província estavam dois Definidores: Frei Germano Guesser, que representou o Ministro Provincial (Frei Fidêncio Vanboemmel), e Frei Evandro Balestrin. O nosso administrador paroquial Pe.Kelvin Konz acolheu a todos. Além de religiosos e religiosas, marcaram presença os noviços e os aspirantes da Província. O povo lotou a igreja mesmo debaixo de muita chuva durante todo o dia. De Concórdia, onde Frei Douglas reside, vieram dois ônibus de fiéis para participar de sua ordenação.

Logo depois da liturgia da Palavra, Frei Germano fez a apresentação do ordenando, que, num gesto muito belo e simbólico, despediu-se de seus pais (Milton e Dilma Machado) e saiu do meio do povo para apresentar-se ao bispo ordenante, no presbitério, dizendo: “Aqui estou”.

O Arcebispo solicitou, além do depoimento de Frei Germano, um gesto da comunidade para sinalizar a aptidão de Frei Douglas para o sacerdócio.

Na sua homilia, D. Jaime explicou detalhadamente o rito da ordenação presbiteral. Segundo o celebrante, a teologia do Sacramento da Ordem é muito bonita. Mas D. Jaime lembrou que hoje falamos pouco da cruz. “Temos medo da cruz. Hoje, em alguns setores, se fala tanto do Cristo que cura, do Cristo que salva, de tantas coisas, mas do Cristo da Cruz ninguém quer falar. Do Cristo que sofre, do Cristo que morre, é difícil falar. Mas a vida do presbítero, do padre, ela deve se conformar com o Cristo Crucificado”, exortou o Arcebispo de Porto Alegre.

“O Espírito do Senhor está sobre ti, certamente. Como presbítero, tu assumes a missão do pastor. Por favor, Douglas, por favor, cuida dos pobres! Cuida dos pobres. O Papa fala dos restos, dos resíduos, que ninguém que ver, mas que estão por aí pedindo ao menos o nosso olhar, a nossa atenção”, ressaltou, fazendo uma prece:

“Cuida dos pobres, atende os fragilizados, acolhe os necessitados. São tantos!

Que a tua vida, que as tuas palavras, que as tuas ações possam realmente aquecer o coração dos fragilizados!

Que tu possas descer na noite escura das pessoas sem ser invadido pelas trevas e ali te perderes!

Que tu sejas capaz de ouvir a ilusão de muitos sem te deixares iludir pelas ilusões!

Que tu sejas capaz de acolher as desilusões sem desesperar-te, nem cair na amargura ou na depressão!

Que tu sejas, Douglas, capaz de tocar a desintegração alheia sem te deixares dissolver e indispor tua própria identidade!

Isso o Papa pedia para nós quando esteve no Rio de Janeiro.

Frei, que o Senhor te conduza pela mão para bem junto do povo. Bem junto. Perto do chão, especialmente o povo pobre, os fracos, os ignorados, os restos, os resíduos, que ninguém quer ver!

Que tu possas reconhecer o Cristo ao teu lado sempre a te conduzir. Não podemos jamais esquecer aquele capítulo 26 do Evangelho de Mateus.

Que possas por toda a parte, através do Ministério da Ordem, testemunhar e anunciar Jesus. Não outra coisa. Todos os dias de sua vida, porque ele se entregou por ti, ele se entregou por mim e por nós todos. E nós todos somos a Igreja que ele tanto amou!

E se nalgum momento de sua vida surgir dificuldade maior, não se esqueça dos irmãos. Eles são a maior riqueza que nós temos. Que Deus te ajude!”, pediu.

Dom Jaime fez uma homilia belíssima partindo do texto do Evangelho em que situa o contexto da última ceia de Jesus com seus apóstolos, onde lava os pés dos discípulos. “Jesus mostra toda a sua disposição, todo o seu amor, amor que consiste em dar-se todo inteiro. Dar-se todo inteiro para que o Pai possa agir-se livremente. O cume desse doar-se é certamente a morte, ou melhor, o saber dar a vida por amor.

Terminada a homilia, o celebrante dirigiu-se, novamente, ao candidato, para confirmar sua intenção de abraçar o sacerdócio, com as disposições e renúncias necessárias. D. Jaime disse a Frei Douglas: “Agora, é olho no olho”. A cada pergunta, repetiu-se a resposta conclusiva: “Eu quero”.

E, então, chegou o momento da grande oração da comunidade. Prostrado por terra, o candidato manifestou o reconhecimento de sua nulidade, fraqueza, pequenez, diante da grandiosidade do ofício que assumiu nesta noite. A comunidade se ajoelhou e entoou a Ladainha de Todos os Santos. “Assim, como os invocamos, a Igreja da terra se une à Igreja do céu, suplicando a força do Espírito. Esse é um momento muito bonito da liturgia de hoje. Depois, no silêncio da imposição das mãos, a terra se une ao céu. O ser humano é dignificado. Deus no seu silêncio, Deus proclama: ‘Tu és meu para sempre!’ O candidato, ajoelhado, sabe que através da silenciosa imposição das mãos do bispo e dos presbíteros, é Deus mesmo que põe sobre ele a mão. E a partir deste instante ele não mais se pertence. Ele torna-se propriedade de um outro. Estás convencido disso, Frei Douglas?”, explicou o Arcebispo.

Seguiu-se a Grande Oração Consecratória, pela qual o candidato foi consumado sacerdote para todo o sempre. Na etapa seguinte da cerimônia, o novo presbítero revestiu-se dos paramentos sacerdotais: a alva, ou seja, a veste branca; a estola, e a casula. Frei Douglas teve a ajuda para se vestir de Pe. Kelvin.

Num outro belo gesto, o ordenante voltou a chamar o neo-sacerdote para lhes ungir as mãos. Teve início, então, a procissão das ofertas, trazidas pelo povo ao altar, para serem usadas nesta primeira Missa que Frei Douglas concelebrou com o Bispo. Essas ofertas simbolizam, também, o que o padre vai fazer a vida inteira: repetir os gestos de Cristo, na mesma entrega, deixando-se consumir para o bem do povo. A ordenação terminou em confraternização no Salão Paroquial.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=94786

Foto: Marina Espíndola, Izadora Amaral, Ana Paula Rachadel e Geovana Hoffmann.

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